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    O que significa, na verdade, que 2026 seja o Ano do Voluntariado? Pontos-chave para entender isso

    Além do título, 2026 representa um ponto de inflexão global para o voluntariado. Analisamos a resolução da ONU, o “Call to Action” e os três eixos que definirão o futuro da ação solidária nos próximos anos.

    Mario González Solas
    9 min de leitura
    Categoria: Voluntariado Corporativo
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    Mapa mundial con conexiones representando la red global de voluntariado durante el Año Internacional 2026 declarado por Naciones Unidas

    El IYV2026 surge de un proceso consultivo que involucró a 14.000 personas de 164 países

    Resumo Rápido

    Além do título, 2026 representa um ponto de inflexão global para o voluntariado. Analisamos a resolução da ONU, o “Call to Action” e os três eixos que definirão o futuro da ação solidária nos próximos anos.

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    Quando ouvimos que 2026 é o “Ano Internacional do Voluntariado”, é fácil pensar que se trata apenas de mais uma declaração simbólica. No entanto, essa proclamação representa algo muito mais profundo: um roteiro elaborado coletivamente que busca transformar a forma como entendemos, valorizamos e apoiamos o voluntariado em nível mundial.


    A origem: uma resolução com décadas de história por trás


    A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a resolução A/RES/78/127 em 18 de dezembro de 2023, proclamando oficialmente 2026 como o Ano Internacional dos Voluntários para o Desenvolvimento Sustentável. Mas essa decisão não surgiu do nada.


    Estamos diante da confluência de três marcos históricos. O primeiro é o 25º aniversário do Ano Internacional dos Voluntários de 2001, que estabeleceu, pela primeira vez, um marco global para reconhecer a contribuição do voluntariado. O segundo é o 55º aniversário do programa Voluntários das Nações Unidas (VNU), criado em 1971 como braço operacional para canalizar a ação voluntária em projetos de desenvolvimento. O terceiro, especificamente na Europa, marca os 30 anos desde o projeto-piloto do Serviço Voluntário Europeu de 1996.


    Essa tripla comemoração não é por acaso. A ONU aproveita esses aniversários para realizar uma avaliação profunda do que funcionou, do que não funcionou e para onde o voluntariado deve evoluir para continuar sendo relevante diante dos desafios do século XXI.


    O “Call to Action”: a voz de 14.000 pessoas de 164 países


    Talvez o elemento mais significativo e menos conhecido do IYV2026 seja o processo que o sustenta. O “Call to Action for the Future of Volunteering” é o resultado de um processo participativo global que reuniu as vozes de quase 14.000 voluntários e referências do setor de 164 países.


    Este documento não é um simples manifesto. É um roteiro estruturado em três eixos fundamentais que definirão a agenda do voluntariado nos próximos anos:


    O primeiro eixo concentra-se no reconhecimento da contribuição do voluntariado para as comunidades e para o desenvolvimento sustentável. Não se trata apenas de agradecer aos participantes, mas de medir, documentar e comunicar o valor real gerado pela ação voluntária. Isso implica desenvolver metodologias padronizadas de medição de impacto e dar visibilidade ao investimento econômico e humano que ela representa.


    O segundo eixo aborda o apoio aos voluntários e às organizações que tornam possível o seu trabalho. Aqui entram questões como a eliminação de barreiras à participação, a criação de ambientes seguros, o acesso à capacitação e a proteção dos direitos. O objetivo é que ser voluntário não seja um privilégio daqueles que podem se dar ao luxo, mas uma opção acessível a qualquer pessoa.


    O terceiro eixo busca fortalecer o ecossistema do voluntariado por meio de estruturas de colaboração mais sólidas entre governos, empresas, ONGs e a sociedade civil. Reconhece-se que o voluntariado não pode continuar operando em silos isolados se quiser ter impacto real nos grandes desafios globais.


    O relatório SWVR 2026: redefinindo o valor do voluntariado


    No último dia 5 de dezembro de 2025, coincidindo com o Dia Internacional dos Voluntários, foram apresentadas na sede das Nações Unidas em Nova York as conclusões do relatório “The 2026 SWVR: Redefining the true value of Volunteerism” (Relatório sobre a situação do voluntariado no mundo em 2026: Cada contribuição conta).


    Esse documento define o rumo de toda a iniciativa do ano. Seu título é revelador: “redefinir o verdadeiro valor”. Durante décadas, o voluntariado foi medido principalmente em horas doadas ou no número de participantes. A nova abordagem propõe uma avaliação mais holística, que inclua o impacto na coesão social, a transferência de conhecimentos, o desenvolvimento de capacidades locais e a contribuição para os ODS.


    O relatório também aborda uma realidade incômoda: embora um bilhão de pessoas no mundo realize algum tipo de voluntariado, existe uma enorme disparidade na forma como essa atividade é reconhecida e apoiada, dependendo do país, do setor ou do contexto socioeconômico. O IYV2026 pretende reduzir essas disparidades.


    O que isso implica para os Estados-membros


    A resolução da ONU não é juridicamente vinculativa, mas estabelece compromissos claros. Os Estados-membros são incentivados a integrar o voluntariado em suas estratégias nacionais de desenvolvimento e na medição do impacto em relação aos ODS.


    Na Espanha, o Conselho de Ministros reconheceu oficialmente 2026 como o Ano Internacional do Voluntariado em dezembro de 2025. Esse reconhecimento não é meramente simbólico: implica o compromisso de incorporar o voluntariado nas prioridades setoriais, estratégias, planos e políticas nacionais.


    No plano prático, os países estão criando comitês nacionais para coordenar as campanhas do Ano Internacional. Esses comitês atuam em três frentes: sensibilização pública, fortalecimento do marco legal e apoio às organizações que canalizam a ação voluntária.


    O papel do setor privado: além da RSE tradicional


    O “Call to Action” faz um apelo explícito ao setor privado. E não se refere apenas ao voluntariado corporativo tradicional. Fala-se de corresponsabilidade entre setores como base para um voluntariado mais coletivo e sustentável.


    Isso significa que as empresas não devem apenas oferecer horas de voluntariado aos seus funcionários. Espera-se que contribuam para fortalecer as organizações sociais, que compartilhem recursos e conhecimentos, que participem da medição de impacto e que apoiem marcos legais favoráveis ao voluntariado.


    O Relatório Voluntare 2025, que analisa as tendências do voluntariado corporativo na Europa e na América Latina na última década, conclui que o voluntariado corporativo se consolidou como ferramenta de gestão interna, impacto social e reputação. Mas também aponta áreas a serem aprimoradas: maior conexão com o propósito organizacional, avanço em direção a um voluntariado estratégico e melhor medição de resultados.


    As quatro prioridades que emergem do diálogo global


    Os encontros preparatórios do IYV2026, realizados em cidades como Madri, Barcelona e Medellín, identificaram quatro grandes prioridades que transcendem fronteiras:


    A primeira é fortalecer as organizações sociais como eixo do ecossistema do voluntariado. Sem ONGs sólidas, bem administradas e com recursos suficientes, não há voluntariado de qualidade. Isso implica investir em profissionalização, em tecnologia e em capacidade operacional.


    A segunda prioridade é conectar o voluntariado ao propósito, tanto das organizações quanto das pessoas. O voluntariado funcional ou por obrigação tem prazo de validade. O voluntariado que transforma é aquele que se conecta a motivações profundas e gera laços significativos.


    A terceira é avançar em direção a um voluntariado estratégico, deixando para trás abordagens pontuais ou puramente filantrópicas. Isso significa alinhar as ações voluntárias a objetivos de sustentabilidade mensuráveis, com indicadores claros e acompanhamento sistemático.


    A quarta prioridade é reforçar a confiança por meio do voluntariado. Em um contexto de polarização social e desconfiança institucional, o voluntariado pode atuar como uma ponte entre empresas, sociedade civil e instituições públicas. Ele promove encontros entre pessoas que, de outra forma, não interagiriam.


    O contexto europeu: 175 milhões de euros e novas prioridades


    Paralelamente à iniciativa da ONU, a Comissão Europeia lançou a convocatória do Corpo Europeu de Solidariedade 2026 com um orçamento ampliado de 175,3 milhões de euros. As prioridades estratégicas específicas para este ano refletem os desafios atuais:


    O objetivo é promover uma cultura de preparação para emergências e prestar ajuda a pessoas que fogem de conflitos armados ou são vítimas de catástrofes. A recente experiência de crises, como a DANA em Valência, demonstrou tanto a capacidade de mobilização cidadã quanto a necessidade de canalizar essa energia de forma organizada.


    Também se prioriza fomentar experiências positivas para jovens com menos oportunidades e promover a equidade intergeracional. O voluntariado não pode ser apenas para quem tem tempo e recursos; deve ser acessível a perfis diversos.


    O que podemos esperar ao longo de 2026


    O Programa de Voluntários das Nações Unidas, responsável por facilitar a comemoração, previu múltiplas linhas de ação. Será impulsionada a criação de plataformas de conhecimento sobre voluntariado, trabalhará-se na eliminação de barreiras para novas formas de participação e será fortalecido o papel do voluntariado na resposta a crises humanitárias.


    Na Espanha, organizações como a Voluntare realizarão seu V Congresso Internacional de Voluntariado Corporativo pela primeira vez em três cidades: Madri, Barcelona e Medellín. Foram propostas iniciativas inovadoras, como hackatons sociais para resolver desafios reais em 48 horas, campanhas conjuntas com materiais compartilhados e calendários coordenados de ações.


    O final do ano trará consigo a elaboração de um relatório que será apresentado na Assembleia Geral da ONU em 2027, documentando conquistas, aprendizados e desafios pendentes. O que fizermos durante esses doze meses ficará registrado como parte do legado desta geração.


    Por que isso importa além das declarações


    É legítimo questionar se tudo isso terá impacto real ou se ficará apenas no papel. A resposta depende, em grande parte, de como os diferentes atores se apropriarem dessa agenda.


    Para as empresas, 2026 oferece um marco de legitimidade para aprofundar seus programas de voluntariado. Não se trata de fazer mais do mesmo com um selo diferente, mas de aproveitar o momento para profissionalizar, avaliar e comunicar melhor.


    Para as ONGs, é uma oportunidade de visibilidade e de captação de novos voluntários e parceiros corporativos. O contexto favorece que mais organizações e pessoas se aproximem do voluntariado pela primeira vez.


    Para as pessoas, a mensagem é clara: cada contribuição conta. Não são necessários grandes gestos heróicos. O voluntariado cotidiano, local e sustentado ao longo do tempo é tão valioso quanto as mobilizações em massa diante de emergências.


    Na MAAT Impact Innovation, acreditamos que a tecnologia pode ampliar tudo isso. Digitalizar a gestão do voluntariado corporativo não é um fim em si mesmo, mas um meio para que mais empresas se conectem com mais ONGs, mais funcionários participem e o impacto de cada ação possa ser medido e comunicado adequadamente. Esse é o nosso compromisso com o IYV2026.

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