Alinear el voluntariado corporativo con los ODS transforma acciones puntuales en estrategia de impacto medible.
Resumo Rápido
77% das empresas do IBEX 35 já vinculam suas ações de voluntariado aos ODS. Descubra como alinhar seu programa corporativo à Agenda 2030, passo a passo, e medir o impacto real de cada ação.
Quando uma empresa lança um programa de voluntariado corporativo, geralmente começa com boas intenções: limpeza de praias, oficinas educativas, coleta de alimentos. Ações valiosas, sem dúvida. Mas há uma pergunta que muitos departamentos de RSE ainda não se fazem: para qual objetivo global estamos contribuindo exatamente?
Essa pergunta é o que distingue um programa de voluntariado reativo de um verdadeiramente estratégico. E a resposta é fornecida pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), os 17 compromissos globais aprovados pela Organização das Nações Unidas em 2015 no âmbito da Agenda 2030.
De acordo com dados do Pacto Global da ONU na Espanha, 88% das empresas espanholas já conhecem os ODS. Mas conhecê-los não é o mesmo que integrá-los. Apenas 20% estabeleceram compromissos quantificáveis relacionados a esses objetivos. É aí que está a lacuna, e é aí que está a oportunidade para sua empresa.
O que são os ODS e por que são importantes para sua empresa
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são 17 metas globais divididas em 169 indicadores específicos. Eles abrangem desde a erradicação da pobreza (ODS 1) até as parcerias para o desenvolvimento (ODS 17), passando pela educação de qualidade, igualdade de gênero, ação climática e trabalho decente.
Para as empresas, os ODS não são um mero enfeite. Eles representam uma linguagem comum que conecta a estratégia de responsabilidade social corporativa às prioridades globais. E o que é mais prático: oferecem um sistema de classificação reconhecido internacionalmente que permite medir, comunicar e comparar o impacto social de qualquer iniciativa.
Isso ganha especial relevância em 2026 por dois motivos. Primeiro, porque as Nações Unidas declararam este ano como o Ano Internacional dos Voluntários para o Desenvolvimento Sustentável, posicionando o voluntariado como um motor fundamental para os ODS. Segundo, porque regulamentações como a CSRD exigem que as empresas europeias apresentem relatórios com dados concretos sobre seu impacto social e ambiental, e alinhar o voluntariado aos ODS facilita enormemente esse processo de prestação de contas.
A realidade na Espanha: avanços e desafios pendentes
O panorama nas empresas espanholas é de progresso desigual. Por um lado, os dados são animadores. A análise do IBEX 35 publicada pelo Pacto Global em 2025 revela que 77% das empresas de capital aberto já vinculam seus programas de voluntariado e ação social aos ODS, contra 29% que o faziam em 2019.
97% das empresas com programas consolidados oferecem voluntariado durante o horário de trabalho, o que facilita a participação. E 90% das empresas espanholas realizam algum tipo de ação vinculada aos ODS.
No entanto, ainda há desafios importantes. A capacitação interna sobre os ODS continua baixa: apenas 14% das empresas do IBEX 35 capacitam seus funcionários sobre a Agenda 2030. E os compromissos quantificáveis — aqueles que vão além de declarações genéricas — estagnam em cerca de 20% do tecido empresarial.
A mensagem é clara: não basta dizer que seu voluntariado contribui para os ODS. É preciso demonstrar isso com estrutura, dados e acompanhamento. A seguir, explicamos como fazer isso.
Os 5 passos para alinhar seu voluntariado corporativo com os ODS
1. Identifique os ODS prioritários para sua empresa
Não se trata de abranger todos os 17 objetivos. Isso dispersaria recursos e diluiria o impacto. O primeiro passo é analisar quais ODS se conectam melhor com o setor da sua empresa, sua localização geográfica, as necessidades da sua comunidade e as competências da sua equipe.
Por exemplo, uma empresa de tecnologia tem uma conexão natural com o ODS 4 (educação de qualidade) e o ODS 9 (inovação). Uma empresa do setor de energia, com o ODS 7 (energia limpa) e o ODS 13 (ação climática). E qualquer empresa comprometida com a igualdade se alinha ao ODS 5.
O habitual é concentrar esforços em 3 a 5 ODS que permitam gerar um impacto profundo e mensurável. A Iberdrola, por exemplo, concentra seu programa internacional de voluntariado nos ODS 3, 4, 7, 10 e 13. A MAPFRE atua principalmente nos ODS 1, 3, 4, 5 e 10 por meio de um programa que mobiliza mais de 11.000 funcionários em todo o mundo.
2. Elabore atividades com um propósito, não apenas com boa vontade
Uma vez definidos os ODS prioritários, o próximo passo é elaborar atividades de voluntariado que respondam diretamente a metas específicas dentro desses objetivos. Aqui estão alguns exemplos concretos:
ODS 4 — Educação de qualidade: programas de mentoria nos quais profissionais da sua empresa acompanham jovens em risco de exclusão em seu desenvolvimento profissional. Oficinas de competências digitais para grupos vulneráveis.
ODS 8 — Trabalho decente: sessões de orientação profissional para pessoas desempregadas. Programas de empregabilidade em parceria com associações locais, nos quais os funcionários compartilham seus conhecimentos sobre o mercado de trabalho.
ODS 10 — Redução das desigualdades: voluntariado com pessoas com deficiência, oficinas de aproximação tecnológica para grupos com exclusão digital ou atividades de integração para migrantes.
ODS 13 — Ação climática: reflorestamento, limpeza de ecossistemas naturais, campanhas internas de conscientização ambiental lideradas pelos próprios funcionários voluntários.
ODS 17 — Parcerias: colaboração direta com ONGs especializadas em cada área, o que amplia o alcance do voluntariado e profissionaliza sua execução.
O segredo está em cada atividade ter uma conexão clara e documentada com o ODS para o qual contribui. Não é a mesma coisa dizer “plantamos árvores” do que “100 funcionários plantaram 500 árvores na Serra de Guadarrama, contribuindo para o ODS 13 e o ODS 15 com a restauração de 2 hectares de ecossistema degradado”.
Para estruturar tudo isso de forma eficiente, é fundamental contar com uma política de voluntariado bem definida que abranja desde a seleção dos ODS até os protocolos de medição.
3. Envolva os funcionários de verdade
Um programa alinhado aos ODS no papel, mas sem participação real, não gera impacto. E é aí que muitas empresas tropeçam: a média de participação em programas de voluntariado gira em torno de 10% do quadro de funcionários.
As empresas mais avançadas conseguem que entre 20% e 45% de seus funcionários se envolvam. Como elas conseguem isso? Combinando vários fatores: flexibilidade de horário, reconhecimento interno, variedade de atividades e, acima de tudo, conexão com os interesses pessoais do funcionário.
Permitir que cada pessoa escolha atividades relacionadas aos ODS que mais a motivam é uma forma eficaz de aumentar o engajamento. Se um funcionário se preocupa com a educação, oferecer a ele um programa de mentoria alinhado ao ODS 4 é muito mais atraente do que uma atividade genérica sem contexto. Se você quiser se aprofundar nas estratégias para aumentar a participação, recomendamos nosso guia de incentivos para promover o voluntariado corporativo.
4. Avalie o impacto associado a cada ODS
A medição é o que transforma uma ação solidária em uma contribuição verificável. E é exatamente isso que normas como a CSRD exigem para os relatórios de sustentabilidade.
Para cada atividade de voluntariado, você deve ser capaz de responder a estas perguntas:
— Para qual ODS e meta específica ela contribui?
— Quantas pessoas participaram como voluntárias?
— Quantas horas foram dedicadas?
— Quantos beneficiários diretos a ação teve?
— Quais resultados concretos foram alcançados?
Um exemplo prático: se 50 voluntários da sua empresa ministraram 200 horas de treinamento digital a 300 idosos, isso representa uma contribuição quantificável para o ODS 4 (educação), para o ODS 10 (redução das desigualdades) e, potencialmente, para o ODS 9 (inovação e infraestrutura).
Automatizar essa coleta de dados faz a diferença entre um programa amador e um profissional. As plataformas de software de voluntariado corporativo permitem registrar cada atividade, atribuir ODS, contabilizar horas e impacto, e gerar relatórios prontos para serem integrados ao relatório de sustentabilidade da sua empresa.
5. Comunique com transparência e dados
A comunicação dos resultados encerra o ciclo. Não se trata de fazer propaganda do voluntariado, mas de prestar contas às partes interessadas com transparência.
Um bom relatório de voluntariado vinculado aos ODS deve incluir: os ODS priorizados e o motivo de sua seleção, as atividades realizadas detalhadas por objetivo, as métricas de participação e alcance, os resultados qualitativos com depoimentos de beneficiários e voluntários, e a evolução interanual dos indicadores.
Empresas como a Telefónica, a Iberdrola ou o Banco Santander já publicam esses dados integrados em seus relatórios ESG anuais. É uma prática que as empresas de referência em RSE normalizaram e que reforça enormemente a credibilidade do programa.
Quais são os ODS mais abordados pelas empresas espanholas
Nem todos os ODS recebem a mesma atenção por parte do setor privado. De acordo com a análise do Pacto Global, os mais priorizados pelas empresas do IBEX 35 são:
ODS 13 — Ação climática: presente em 97% das estratégias de sustentabilidade das grandes empresas espanholas. É o objetivo mais transversal e o que mais se associa a atividades de voluntariado ambiental.
ODS 5 — Igualdade de gênero: priorizado por 83% das empresas do IBEX 35, com programas de mentoria para mulheres e ações de conscientização lideradas por voluntários.
ODS 8 — Trabalho decente e crescimento econômico: diretamente ligado ao voluntariado voltado para a empregabilidade e à própria cultura de bem-estar no trabalho, que incentiva a participação em programas solidários.
ODS 7 — Energia acessível: especialmente relevante para empresas do setor energético, embora também possa ser abordado por meio do voluntariado de conscientização energética nas comunidades.
O interessante é que os ODS menos abordados, como o ODS 14 (vida marinha) ou o ODS 2 (fim da fome), representam nichos onde empresas de qualquer tamanho podem se diferenciar por meio de ações de voluntariado bem elaboradas.
O papel do Ano Internacional do Voluntariado 2026
A declaração de 2026 como Ano Internacional do Voluntariado pela ONU não é um gesto simbólico. É um roteiro que afeta diretamente as empresas.
O “Call to Action for the Future of Volunteering”, elaborado com contribuições de 14.000 pessoas de 164 países, estabelece três eixos prioritários: fortalecer o reconhecimento do voluntariado, melhorar sua proteção e criar estruturas de apoio mais sólidas.
Para as empresas, isso se traduz em uma oportunidade concreta: 2026 é o ano perfeito para lançar ou reformular um programa de voluntariado corporativo alinhado aos ODS. As organizações que o fizerem se posicionarão como referências perante investidores, órgãos reguladores, talentos e a opinião pública.
Além disso, na Espanha, redes como a Voluntare realizarão seu V Congresso Internacional de Voluntariado Corporativo em três cidades, e o Pacto Global continuará impulsionando iniciativas como a #COMPANIES4SDGs, que já mobilizou mais de 79.600 funcionários voluntários em mais de 4.350 atividades relacionadas aos ODS.
Erros comuns ao associar voluntariado e ODS
Alinhar o voluntariado aos ODS não consiste em colocar ícones coloridos em um relatório. Estes são os erros que devem ser evitados:
ODS-washing: atribuir um ODS a qualquer atividade sem uma análise real. Afirmar que uma coleta de alimentos “contribui para todos os ODS” não é credível. É preciso ser preciso e honesto nessa associação.
Dispersão: tentar abranger todos os 17 objetivos com recursos limitados. É melhor concentrar os esforços em 3 a 5 ODS com impacto profundo do que se dispersar em ações superficiais.
Medir apenas horas: as horas de voluntariado são um indicador básico, mas insuficiente. O que importa é o impacto: pessoas beneficiadas, competências transferidas, mudanças geradas.
Desconectar-se do negócio: o voluntariado mais eficaz é aquele que conecta as competências profissionais dos funcionários às necessidades da comunidade. Um advogado atuando como mentor jurídico gera mais valor do que organizando um almoxarifado.
Não envolver as ONGs desde a concepção: as organizações sociais conhecem as necessidades reais no terreno. Conceber atividades sem a participação delas reduz a eficácia e a legitimidade do programa.
Como a Maat Impact facilita o alinhamento com os ODS
Uma das maiores dificuldades para os departamentos de RSE é gerenciar todo esse processo manualmente: selecionar ONGs, coordenar atividades, registrar a participação, atribuir ODS a cada ação e gerar relatórios de impacto.
É exatamente isso que uma plataforma digital de voluntariado corporativo resolve. A Maat Impact permite que as empresas conectem cada atividade aos ODS correspondentes, automatizem a medição de impacto por objetivo, gerem relatórios de sustentabilidade alinhados aos padrões ESG e CSRD e visualizem em tempo real quais ODS estão sendo mais trabalhados e quais precisam de reforço.
Além disso, a rede de ONGs verificadas integrada à plataforma garante que cada iniciativa de voluntariado atenda às necessidades reais no terreno, maximizando a contribuição efetiva para cada Objetivo de Desenvolvimento Sustentável.
Das boas intenções à estratégia mensurável
O voluntariado corporativo vinculado aos ODS não é uma tendência. É o padrão para o qual caminha a gestão empresarial responsável na Espanha e na Europa. As empresas que já o praticam contam com vantagens reais na atração de talentos, no cumprimento normativo, na reputação corporativa e, acima de tudo, na capacidade de gerar um impacto social que transcende a própria organização.
Com 2026 como o Ano Internacional do Voluntariado e a contagem regressiva da Agenda 2030 avançando, o momento de estruturar seu programa não é amanhã. É agora.